O que limita as pessoas competentes no trabalho?
Título original na news: “O que limita as pessoas competentes”
Existe uma cena que se repete em muitas empresas. Uma pessoa é contratada porque é muito boa tecnicamente. Tem conhecimento, entrega resultado, domina aquilo que faz. No começo, parece uma contratação óbvia, até que começam os ruídos. Ela não recebe bem um feedback, tem dificuldade de admitir quando erra, reclama com frequência. Os problemas estão sempre na liderança, no processo, na empresa ou nas outras pessoas. E, aos poucos, alguém que entrou pelas habilidades técnicas começa a ter sua trajetória limitada por questões comportamentais.
Já vi isso acontecer mais de uma vez. Pessoas competentes, com conhecimento e capacidade de entrega, mas que, mesmo diante de treinamentos, conversas e oportunidades de desenvolvimento, continuam no mesmo lugar. Não fazem diferente, não mudam a postura, não experimentam uma nova forma de agir. Ao mesmo tempo, a reclamação continua.
Assim, começamos a perceber algo: a zona de conforto nem sempre parece confortável. Às vezes, ela soa como insatisfação.
A pessoa reclama, critica, diz que quer algo diferente, mas continua repetindo os mesmos comportamentos. Mudar de verdade exige pagar um preço. Exige receber um feedback sem transformá-lo imediatamente em ataque. Exige estar presente quando seria mais fácil faltar. Exige reconhecer que talvez exista algo em nós contribuindo para o problema. Exige sair da história confortável de que tudo melhoraria se os outros mudassem primeiro.
Aqui, uma diferença fica muito clara para mim: competência é saber fazer. Maturidade é conseguir olhar para si quando fazer melhor exige mudar quem você está sendo.
É aí que entra a autorresponsabilidade, um dos princípios da alta performance. Ela não significa acreditar que tudo o que acontece é culpa sua. Nem sempre o problema está exclusivamente em nós. Existem contextos, pessoas e decisões que não conseguimos controlar. Entretanto, existe uma pergunta que continua sendo importante:
“Diante disso, qual é a parte que está nas minhas mãos?”
Talvez eu não controle o feedback que recebi, mas controlo o que faço com ele. Talvez eu não controle todas as decisões da empresa, mas posso observar como estou reagindo a elas.
No mercado, falamos o tempo inteiro sobre estratégia, inovação, performance, tecnologia e vantagem competitiva. Acontece que empresas continuam sendo feitas por pessoas. E, quanto maior a responsabilidade de alguém, menos o desafio é apenas técnico. Ele passa a ser também emocional.
Por esse motivo algumas pessoas extremamente competentes param de crescer. Não porque deixaram de saber fazer, e sim, porque deixaram de se desenvolver.
No fim, o currículo pode abrir uma porta. Mas é a forma como você lida com pessoas, pressão, desconforto, feedback e responsabilidade que muitas vezes determina até onde você consegue ir.
Andressa Erthal
Andressa Erthal. Filha, esposa, mãe, determinada, otimista e paciente; Administradora; MBA em Gestão, Inovação e Liderança; Master Coach; Analista Especialista de Perfil Comportamental; Pós-Graduação Neurociência e Performance Humana; Nasa Experience; Pós-Graduação Psicologia Positiva; Escritora; MBA em Felicidade Organizacional.