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O drama silencioso das lojas de conveniência, que também pode estar no seu negócio

Título original na news: “O drama silencioso das lojas de conveniência, que também pode estar acontecendo no seu negócio”

Por Filipi Erthal, fundador da Erthal&Co··Publicado no Mapa do Caos

A loja de conveniência continua no mesmo lugar. O problema é que a conveniência mudou de endereço.

Durante muito tempo, o modelo foi simples: localização, horário estendido, compra rápida e um mix pensado para estimular o impulso. O consumidor abastecia, entrava e levava algo que nem planejava comprar.

Esse comportamento sustentou boas margens. No Soma Posto, por exemplo, a loja teve participação importante em nossa trajetória, e as bebidas alcoólicas representavam uma parcela relevante do mix.

Só que o consumidor mudou. Não apenas a forma de comprar, mas aquilo que deseja consumir.

Cresce a busca por saúde, bem-estar, performance e longevidade. Para parte do público, o álcool perdeu frequência ou espaço social. O “food” passou a dividir atenção com alimentos leves, funcionais e proteicos.

Isso não significa que álcool, salgados ou doces deixaram de vender. Mas categorias que funcionavam quase no automático agora disputam atenção com novas prioridades. O consumidor ainda quer prazer e praticidade, mas também procura equilíbrio, qualidade e identificação com seu estilo de vida.

A ideia de conveniência também foi reescrita. Agora, significa resolver uma necessidade com poucas etapas: comprar pelo aplicativo, receber em casa, retirar no caminho ou pagar sem fila.

Por isso, a loja disputa espaço com aplicativos, mercados de bairro, dark stores, lojas autônomas e farmácias.

As farmácias são um ótimo exemplo. Muitas combinam boa localização, bom mix, horários amplos, aplicativos e delivery. Na prática, entregam proximidade, confiança, velocidade e resolução.

É aqui que começa o drama silencioso. A loja pode manter faturamento razoável enquanto perde relevância. Isso aparece na redução do giro, na pressão sobre as margens, nos itens parados e na dificuldade de fazer o cliente entrar.

Antes de pensar em tecnologia, existe uma pergunta mais básica: qual conveniência ainda faz sentido para o comportamento atual?

A resposta passa pela revisão do mix conforme giro, margem, horário e perfil do público, além de dados, execução, treinamento e ofertas adequadas a cada unidade.

Olhando de forma transversal, esse drama pode acontecer em qualquer empresa que cresceu apoiada em um comportamento que está perdendo força.

A necessidade continua existindo, mas a forma de resolvê-la muda. O concorrente passa a ser qualquer negócio capaz de entregar a mesma solução com menos fricção e mais conexão com o comportamento atual.

Qual comportamento sustentou o crescimento do seu negócio até aqui, e ele ainda existe da mesma forma?

Filipi Erthal

Filipi Erthal

Filipi Erthal é fundador da Erthal&Co, desenvolvedora de negócios com base no Instituto Caldeira, em Porto Alegre. Por quase seis anos tocou um posto de combustíveis em Montenegro. Tem trajetória em varejo, indústria e negócios próprios, formação em Administração e pós em Neurociência e Comportamento. Hoje atua como parceiro estratégico de líderes que constroem no mundo real.

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